Palavras, letras, gestos, tons…

Vamos pensar em palavraspalavras que nem sempre são ditas, mas que se expressam no rosto, nos gestos, nos olhares…

Pensando em termos mais técnicos, há de se prestar muita atenção ao que se expõe em forma de letras e símbolos, já que por muitas vezes, palavras podem ser retorcidas, distorcidas e contorcidas pelos interlocutores. Quando a conversa é cara a cara, olho no olho, digamos que as controvérsias podem ser menores, mas quando pensamos em e-mails e, principalmente, em mensagens pelas redes sociais, SMS e WhatsApp, temos que redobrar a atenção.

Palavras escritas não tem entonação e mesmo utilizando os recursos digitais, como aspas, negrito, caixa alta e emojis, ainda assim quem a recebe pode interpretar de maneira errada o que você realmente queria dizer.

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E você já parou para pensar no poder que as palavras têm? Estudos demonstram que ditos e frases repetidos na infância viram verdades no cérebro, que muitas vezes, podem ser limitantes. Crenças como “tempo é dinheiro” ou “dinheiro é sujo” são colocadas em nosso subconsciente e podem vir a atrapalhar seriamente o desenvolvimento profissional e social daquele que por anos escutou, da boca de seus pais, tais ditos.

Mas como escolher as palavras certas?

Bem, pensamos primeiro em idade. Com quem você está conversando, qual o nível intelectual que a pessoa tem?

Não adianta rebuscar as palavras para conversar com uma criança ou com uma pessoa de pouco estudo e cultura, a não ser que a sua única intenção seja provocar estranheza, “respeito” ou descaso. E o engraçado é: isso é o que mais vemos os nossos renomados políticos fazerem; usarem de vocabulário difícil a fim de impressionar os ignorantes, mas isso já não tem mais tanto efeito assim, só não contem para eles, ok?

As palavras devem ser ditas com clareza, com o português correto e simples. Se você pretender convencer alguém, terá que estudar sobre persuasão e programação Neurolinguística.

Se você pretende dar aulas a adolescentes, é melhor se inteirar das novas tendências de gírias e tentar ser mais leve e coloquial.

Se você quer que crianças pequenas lhe deem ouvidos e gostem de suas histórias, é melhor narrá-las com emoção, usando de gestos e vozes a gosto do freguês. Abuse da entonação e, principalmente, das cantigas e momentos de suspense.

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Se deseja conversar com a terceira idade, estude e se informe, ou corre o risco de passar vergonha. Com a tecnologia, muita gente esqueceu dos livros, que moram nas cabeceiras dos mais velhos, e você corre um grande risco de parecer repetitivo ou de falar de algo que eles já estão cansados de saber. Essa idade precisa do novo, mas um novo inteligente, que não canse, que não os tente enrolar ou enganar, uma história leve, que os faça rir e lembrar dos momentos bons da vida. Nada de assuntos sérios e pesados demais. Deixe isso para os jornais e programas jornalísticos.

Enfim, agora pense: o que eu quero que ele escute?

Como assim? É isso mesmo. O que você deseja que a pessoa com quem está falando entenda? Você deseja que ela sinta amor ou repulsa? Raiva ou compaixão?

Você pode dizer a mesma história e conseguir que torçam para o mocinho ou para o vilão, basta narrar pelo ângulo desejado.

Seja assertivo

Se você deseja ser assertivo, e mais do que um comportamento, quer que seja sua filosofia de vida, vale a pena estudar a respeito e treinar para tal. A assertividade é uma filosofia de relacionamento humano com soluções ganha-ganha. Ela é o ingrediente secreto e perfeito para os relacionamentos saudáveis, sejam eles pessoais ou profissionais.

O que é assertividade?

Assertividade é um termo que se origina de asserção. Fazer asserções quer dizer afirmar, do latim afirmare, tornar firme, consolidar, confirmar e declarar com firmeza.

Nas relações sociais assertivas, os dois lados ganham, é uma relação interdependente, a comunicação é transparente e as pessoas exprimem suas necessidades, pensamentos e sentimentos de forma honesta e direta, sem violar o mesmo direito dos outros.

Muitos acham que ser assertivo é apenas ter uma comunicação sincera e objetiva, falando sem pensar, “doa a quem doer” ou “custe o que custar”, e isso acaba criando uma resistência nas pessoas, já que há uma baita distorção de comportamento.

A pessoa assertiva tem desenvoltura e flexibilidade para se mover entre comportamentos construtivos, influenciando os processos através da expressão honesta e clara de seus sentimentos, opiniões e necessidades, ora podendo ser influenciado ou influenciando, ouvindo opiniões divergentes, pedindo e oferecendo ajuda.

Então, quando for escolher as suas palavras, lembre-se de ser assertivo e prestar atenção ao seu tom de voz, sua postura corporal, suas expressões faciais… Elas desnudam suas intenções e podem corromper as suas palavras.

Exemplificando

Isso é amor?

Se tal frase foi dita com doçura, pode-se dizer que alguém está observando um casal se abraçando. Já essa mesma frase, em tom de sarcasmo, pode significar: tem certeza que isso é amor?

Viu? Não é compreensível e necessário pensarmos em nossas atitudes e palavras?

Não vou dizer que não há falhas. Sempre haverá quando se tratar de um ser humano, com sentimentos e verdades. No entanto, se por um mínimo esforço, tentarmos escolher as palavras a fim de que o outro escute o que desejamos realmente expressar, o mundo será muito melhor.

Gestos e comportamentos – Rindo um pouquinho do assunto

Se sairmos do campo das palavras ditas e pensarmos em como gestos demonstram frases inteiras, fica ainda mais divertido observar os seres humanos.

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Por exemplo, porque um adolescente acha que quando bufa, você vai entender “tudo bem”, se na verdade, ele queria dizer “que saco” ou “logo agora?”. Devíamos fazer um dicionário só para traduzir as batidas de portas, os pés pesados pela casa e os olhos de tristeza que eles naturalmente exprimem e acham, que nós, não estamos percebendo.

E aí você fala:

– O que houve? Porque está com vontade de chorar?

E ele responde:

– Eu não. Tô bem.

Para os adultos é tão claro, tão óbvio, e eles realmente acreditam que nós não percebemos. Ai, quem dera! Talvez assim as mães não se preocupariam tanto…

E é assim a vida, palavras soltas, palavras presas e sufocadas, palavras que devem ser ditas, palavras que são melhores esquecidas… Palavras que não devemos esquecer nunca, palavras que devemos dizer repetidamente, antes que seja tarde demais.

Eu faço a minha lista, e você, já fez a sua?

Gratidão, amor, amizade, caridade, compreensão, paz…

 

 

Crise política ou cívica?

Percebe-se nos dias atuais, uma certa aversão à política por parte, não só dos jovens, mas dos adultos jovens. Não sabemos se por decepção ou descaso, a falta de interesse pela política me parece mais uma aversão a corrupção a que estamos, seguidamente, convivendo desde que o Brasil foi descoberto.

Tudo começou com a famosa frase: POLÍTICA NÃO SE DISCUTE.

Sim, política deve ser debatida. As confusões não são causadas pelo assunto em si, mas pela dificuldade que as pessoas têm em aceitar pensamentos e interesses diversos do seu. E isso é uma falha na educação brasileira, aonde evitamos discutir para evitar aborrecimento, quando, na verdade, deveríamos ensinar a lidar com as diferenças.

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O que é política?

Política, segundo Aristóteles, é a ciência que tem por objetivo a felicidade humana e também a arte de negociação para compatibilizar e alinhar interesses. O termo tem origem no grego política, uma derivação de polis que designa aquilo que é público. A política enquanto ciência divide-se em ética e na política propriamente dita.

A ética preocupa-se com a felicidade individual do homem na Cidade-Estado e com a felicidade coletiva, em termos de política propriamente dita.

É uma ciência prática, que busca conhecimento como meio para ação em prol de um bem-estar tanto individual quanto coletivo.

“Vemos que toda cidade é uma espécie de comunidade, e toda comunidade se forma com vistas a algum bem, pois todas as ações de todos os homens são praticadas com vistas ao que lhes parece um bem; se todas as comunidades visam algum bem, é evidente que a mais importante de todas elas e que inclui todas as outras, tem mais que todas, este objetivo e visa ao mais importante de todos os bens; ela se chama cidade e é a comunidade política” (Pol., 1252a).

Aristóteles

Política em essência

Mesmo sem saber, todos nós praticamos política o tempo todo, desde a hora de nosso nascimento, afinal, o bebê chora para receber atenção e alimento? Isso é política. A criança faz chantagem porque deseja um brinquedo novo, isso é política. Os pais explicam sobre as diversidades, sobre inclusão social, negociam horários e passeios… Isso também é política.

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Então, não se trata de partidos, esquerda ou direita, se trata de política como meio de juntar e unificar as diversidades humanas em prol de um bem maior.

Teoria política

Essa área temática da política agrega contribuições de várias disciplinas, como filosofia política e a história das ideias políticas. Tal teoria tem se dividido em duas maneiras: como teoria política normativa e como teoria política histórica.

A teoria política normativa evolve uma reflexão crítica sobre a realidade que vivemos e como deve ser no futuro, ou seja, uma projeção sobre a ordem política. Já a teoria política histórica, elabora narrativas que envolvem o desenvolvimento da tradição do pensamento político, levando como objetos de investigação ideias de autores clássicos, os conceitos políticos centrais e suas mudanças em dada época ou sociedade, assim como embates ideológicos situados em contextos históricos específicos.

A sociedade ocidental é permeada em toda a sua trajetória pela teoria política e é impossível você separar a história de construção das sociedades das comunidades políticas. Enfim, a teoria política engloba uma ilimitada variedade de perspectivas ideológicas e visões diferentes do mundo.

História

Tradicionalmente quando havia uma discussão acerca de questões na atividade política, usavam-se os termos filosofia ou teoria política. Em fins do século XIX, o pensador italiano Gaetano Mosca (1858/1941) publicou um livro a que deu o título de Elementos de ciência política. Logo, no século XX, virou praxe usar esse nome (ciência política).

No entanto, nos Estados Unidos, especialistas desta ciência entenderam que a disciplina deveria abordar temas atingíveis, ou seja, que poderiam ser medidos. Como comprovação do fato, observa-se o fato de que as pesquisas foram se tornando o aspecto mais importante das campanhas eleitorais.

Importante relembrarmos que a política foi toda construída com base nos conflitos religiosos, aonde se viu a importância de instituir algo que estivesse acima das crenças e do poder da igreja católica ou qualquer religião que reinasse em determinada sociedade.

Política e comunicação

Fora teorias, partidos e lados, pensemos na política como meio de comunicação e de discussão saudável para objetivos em comum. É importante educar e ensinar aos jovens a se comunicarem cada vez melhor, com mais sabedoria e também cautela. A internet, ao mesmo tempo que facilitou enormemente a vida em sociedade, diminuiu as rodas de conversa e o contato físico que o ser humano precisa para sustentar relações de cordialidade e de amor ao próximo.

As mensagens eletrônicas são cheias de desenhos, letras em caixa alta e abreviaturas, mas não exprimem emoção nem envolvem a pessoa com a mesma eficácia que o famoso “olho no olho”. É neste contato, no aperto de mão, no abraço, que estabelecemos a verdadeira conexão fraterna e amorosa, é com a convivência que desenvolvemos a compaixão e a solidariedade, são os olhares que promovem a cumplicidade e nada tem mais força do que uma massa humana enorme unida contra ou a favor de uma causa.

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Não deixemos de ensinar política às novas gerações. Não deixemos que os sons dos teclados absorvam as conversas em família. Pratiquemos uma política saudável de discussão acerca do mundo e das diversidades, pois só a partir dessas discussões e os sensos comuns gerados pelas mesmas, poderemos encontrar o caminho para uma sociedade mais equilibrada e alinhada em benefício do ser humano, no que diz respeito, não só as necessidades básicas, como também à qualidade de vida.